Pesquisar este blog

quarta-feira, 1 de maio de 2013

                    MÍDIA X LITERATURA
                                                                                                                                                                                                                                    por  Tauana Posebon dos Passos
 
            As pessoas estão cada vez mais alienadas pela TV, vivem para assistir as novelas e Reality Shows, muitas vezes deixam de sair e de conversar com suas famílias, para poder escutar o que os atores estão falando. As pessoas deixaram de ter a família, os amigos e os professores como exemplo, e passarem a querer seguir as tendências das modelos e das atrizes.
   Sem contar que a mídia vem a cada dia influenciando mais as pessoas, Borzetowisk afirma que "bastam 30 segundos para uma marca influenciar uma criança". O que nos faz refletir sobre o poder que a mídia exerce nestas nestas, durante horas de transmissões televisivas, sendo que o mercado infantil movimenta cerca de 130 milhões de reais em um ano, e 80% da influência de compra vem das crianças, ou seja é quase como se voltássemos a enxergar a criança com a mesma visão que se tinha na Idade Média, dela como sendo um adulto em miniatura, tendo as mesmas necessidades e os mesmos desejos que seus país.
 Hoje não é incomum ver uma criança de quatro ou cinco anos usando batom, sombra, tamanquinho de salto, indo ao salão fazer o cabelo ou as unhas, entre outros aparatos destinados a adolescentes ou adultos, sendo que estas crianças acabam perdendo grande parte de sua infância, deixando de brincar, pois não querem sujar suas roupas ou desarrumar seus cabelos, elas se importam mais com o comprar do que com o brincar.
Tendo em vista que este comprar é um comprar desmedido, sendo o ato de comprar a diversão em si, ou seja a criança não quer comprar por que precisa do objeto e sim por que se sente realizada por poder possui-lo, isso se torna uma forma de representar status em um determinado grupo ou a forma de ingressar neste, se tornando igual ao outro havendo quase que uma padronização dentro destas “tribos”. Segundo Souza “[...]as crianças pedem um brinquedo e outro e outro, mas simbolicamente não é o que estão precisando, o que elas buscam é a parte afetiva por traz do comprar”.
Uma pesquisa brasileira perguntou a 1067 crianças o que gostariam de ganhar no dia das crianças, sendo que apareceu em segundo colocado dinheiro tanto para os meninos quanto para as meninas, estando em primeiro lugar, MP3/ MP4/Ipod ou vídeo game. Esse pode ser muito bem o reflexo do tempo excessivo que os pequenos passam em frente da TV, pois uma outra pesquisa feita pelo IBGE, mostra que as crianças brasileiras são as que mais assistem televisão no mundo, cerca de 4 horas 51 minutos e 19 segundos por dia. Ou seja elas estão sendo bombardeada com informações e desejos que muitas vezes não têm a maturidade de discernir se é bom ou não para si, um exemplo disto são os alimentos direcionados as crianças, a ANVISA diz que “80% da publicidade de alimentos dirigidos as crianças são de alimentos, calóricos, com alto teor de açúcar, gordura e pobres em nutrientes. Mas essas crianças muitas vezes não estão comprando por gostar deste ou daquele produto em si, mas por conter na embalagem este ou aquele personagens do qual são fãs. Tendo Villela alertado para o seguinte fato:
A criança está sendo estimulada ao consumismo extremo, sendo que a criança de classe média e classe média alta, vai ter o mesmo apelo ao consumo do que uma criança que não tem condições de comprar as vezes o próprio alimento. [..]será que é justo culpar os pais por isso quando existe uma industria bilhonaria, bombardeando a cabeça de seus filhos, dizendo queiram isso, comprem isso, peçam para seus pais. É colocar um pouco as crianças contra os próprios pais, como se eles fossem aqueles que negassem o desejo, os próprios vilões.


Acabando os pais muitas vezes não percebendo que o “não” é sim muito importante para seus filhos, pois a criança necessita do contado da realidade com o não, pois vão vivenciar muitas vezes em sua vida adulta questões de contradição, onde não poderão ter aquilo que desejam, podendo muitas vezes se tornarem pessoas frustadas por não ter sido bem trabalhado na infância a negação, o fato de que não se pode ter tudo. Guareschi afirma que “ a mídia hoje é o primeiro elemento, primeiro fator, na construção e criação de nossos valores, não é mais a família, a igreja, a escola, nem os amigos, e sim os que estão na mídia”.
Outro fator que não podemos deixar de considerar é a forma que a mídia vem aos poucos aflorando a sexualidade infantil, muitas vezes através de propagandas onde é natural ver uma criança falando de namorado, ou usando maquiagem e roupas da moda, quase como uma mensagem subliminar da sensualidade que ira transmitir. Há também a questão das propagandas de bebidas alcoólicas onde a mulher quase sempre aparece com pouca roupa já com a intenção de sedução, geralmente servindo ao homem, passando a sim para as meninas que este é seu papel seduzir e servir, enquanto os meninos veem a mulher como um objeto sexual. A maneira que são vistos os brinquedos hoje também contribui para isso pois Yves alerta para isso “as bonecas de antigamente eram vistas como o bebê, era um trabalho de maternagem, hoje as Barbeis são a projeção do que a menina quer ser, [...]você não é mãe dá Barbie você é sua amiga, vai ao shopping com ela e seu namorado.”
Em contraponto as crianças estão se tornando mais imaturas, o que não é de se estranhar , pois quando se vive uma vida imaginária não se amadurece. Sendo este um dos fatores que reflete a causa de que 20% das crianças que nascem no Brasil são filhas de adolescentes, esse índice representa três vezes mais garotas menores de 15 anos grávidas do que na década de 70. O índice de gravidez entre adolescentes cresceu 150% em relação às duas últimas décadas.
E o fato das crianças passarem tanto tempo diante da TV, influência proporcionalmente, a diminuição  ao habito a leitura, e isso por sua vez influência diretamente os problemas de leitura e escritas que os jovens vem apresentando atualmente. Pois muitas vezes os alunos chegam ao sexto, sétimo ano, lendo muito mal e escrevendo com muitos erros ortográficos. Mas isso não é de se estranhar, pois se eles não leem eles não aprendem a escrever corretamente.
 Marina Carvalho, supervisora da Fundação Educar DPaschoal, diz que:

Se em casa as crianças não encontram pais leitores, reforça-se a ideia de que ler é uma obrigação escolar. Se existe uma queda no número de leitores adultos, isso se reflete no público infantil, [...] as crianças precisam estar expostas aos livros antes mesmo de aprender a ler. Assim, elas criam uma relação afetuosa com as publicações e encontram uma atividade que lhes dá prazer.


Em uma pesquisa fita pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Ibope Inteligência revela que os brasileiros estão lendo menos. A pesquisa diz que: "de acordo com o levantamento nacional, o número de brasileiros considerados leitores – aqueles que haviam lido ao menos uma obra nos três meses que antecederam a pesquisa – caiu de 95,6 milhões (55% da população estimada), em 2007, para 88,2 milhões (50%), em 2011". Sendo que muitas vezes as crianças ou jovens leem, somente por obrigação, para poderem desenvolver algum trabalho proposto pelo professor. Mas muitas vezes estes livros são sempre os mesmos causando assim um desinteresse por parte dos alunos.
Portanto é preciso ter um olhar mais critico ao que vemos na Televisão, mas principalmente termos um cuidado com o que as crianças estão assistindo na mesma, além de que precisamos incentivar mais e com mais meios o habito a leitura, precisamos acostumar as crianças desde muito cedo a se cercar pela literatura, devemos mostrar aos pequenos que ao ler entramos em um mundo totalmente novo, cheio de experiencias e descobertas fantásticas, devemos explorar a criatividade e a curiosidade destes para que quando eles estejam na idade de se alfabetizarem, já tenham o gosto o "amor" pela leitura.

Bibliografia:


GOULART, Nathalia. Veja Educação. 2012. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/habito-de-leitura-no-brasil-cai-ate-entre-criancas>. Acesso em: 1 maio. 2013.

Criança a Alma do Negócio (Documentário). Estela Renner, 2008. 50 min. cor. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário