MÍDIA X LITERATURA
por Tauana Posebon dos Passos
As pessoas estão cada vez mais alienadas pela TV, vivem para assistir as novelas e Reality Shows, muitas vezes deixam de sair e de conversar com suas famílias, para poder escutar o que os atores estão falando. As pessoas deixaram de ter a família, os amigos e os professores como exemplo, e passarem a querer seguir as tendências das modelos e das atrizes.
Sem contar que a mídia vem a cada dia influenciando mais as pessoas, Borzetowisk afirma que "bastam 30 segundos para uma marca influenciar uma criança". O que nos faz refletir sobre o poder que a mídia exerce nestas nestas, durante horas de transmissões televisivas, sendo que o mercado infantil movimenta cerca de 130 milhões de reais em um ano, e 80% da influência de compra vem das crianças, ou seja é quase como se voltássemos a enxergar a criança com a mesma visão que se tinha na Idade Média, dela como sendo um adulto em miniatura, tendo as mesmas necessidades e os mesmos desejos que seus país.
Hoje não é incomum ver uma criança de quatro ou cinco anos usando
batom, sombra, tamanquinho de salto, indo ao salão fazer o cabelo
ou as unhas, entre outros aparatos destinados a adolescentes ou
adultos, sendo que estas crianças acabam perdendo grande parte de
sua infância, deixando de brincar, pois não querem sujar suas
roupas ou desarrumar seus cabelos, elas se importam mais com o
comprar do que com o brincar.
Tendo em vista que este comprar é um comprar desmedido, sendo o ato
de comprar a diversão em si, ou seja a criança não quer comprar
por que precisa do objeto e sim por que se sente realizada por poder
possui-lo, isso se torna uma forma de representar status em um
determinado grupo ou a forma de ingressar neste, se tornando igual ao
outro havendo quase que uma padronização dentro destas “tribos”.
Segundo Souza “[...]as crianças pedem um brinquedo e outro e
outro, mas simbolicamente não é o que estão precisando, o que elas
buscam é a parte afetiva por traz do comprar”.
Uma pesquisa brasileira perguntou a 1067 crianças o que gostariam de
ganhar no dia das crianças, sendo que apareceu em segundo colocado
dinheiro tanto para os meninos quanto para as meninas, estando em
primeiro lugar, MP3/ MP4/Ipod ou vídeo game. Esse pode ser muito bem
o reflexo do tempo excessivo que os pequenos passam em frente da TV,
pois uma outra pesquisa feita pelo IBGE, mostra que as crianças
brasileiras são as que mais assistem televisão no mundo, cerca de
4 horas 51 minutos e 19 segundos por dia. Ou seja elas estão sendo
bombardeada com informações e desejos que muitas vezes não têm a
maturidade de discernir se é bom ou não para si, um exemplo disto
são os alimentos direcionados as crianças, a ANVISA diz que “80%
da publicidade de alimentos dirigidos as crianças são de alimentos,
calóricos, com alto teor de açúcar, gordura e pobres em
nutrientes. Mas essas crianças muitas vezes não estão comprando
por gostar deste ou daquele produto em si, mas por conter na
embalagem este ou aquele personagens do qual são fãs. Tendo Villela
alertado para o seguinte fato:
A criança está sendo estimulada ao consumismo extremo,
sendo que a criança de classe média e classe média alta, vai ter o
mesmo apelo ao consumo do que uma criança que não tem condições
de comprar as vezes o próprio alimento. [..]será que é justo
culpar os pais por isso quando existe uma industria bilhonaria,
bombardeando a cabeça de seus filhos, dizendo queiram isso, comprem
isso, peçam para seus pais. É colocar um pouco as crianças contra
os próprios pais, como se eles fossem aqueles que negassem o desejo,
os próprios vilões.
Acabando os pais muitas vezes não percebendo que o
“não” é sim muito importante para seus filhos, pois a criança
necessita do contado da realidade com o não, pois vão vivenciar
muitas vezes em sua vida adulta questões de contradição, onde não
poderão ter aquilo que desejam, podendo muitas vezes se tornarem
pessoas frustadas por não ter sido bem trabalhado na infância a
negação, o fato de que não se pode ter tudo. Guareschi afirma que
“ a mídia hoje é o primeiro elemento, primeiro fator, na
construção e criação de nossos valores, não é mais a família,
a igreja, a escola, nem os amigos, e sim os que estão na mídia”.
Outro fator que não podemos deixar de considerar é a forma que a
mídia vem aos poucos aflorando a sexualidade infantil, muitas vezes
através de propagandas onde é natural ver uma criança falando de
namorado, ou usando maquiagem e roupas da moda, quase como uma
mensagem subliminar da sensualidade que ira transmitir. Há também a
questão das propagandas de bebidas alcoólicas onde a mulher quase
sempre aparece com pouca roupa já com a intenção de sedução,
geralmente servindo ao homem, passando a sim para as meninas que este
é seu papel seduzir e servir, enquanto os meninos veem a mulher
como um objeto sexual. A maneira que são vistos os brinquedos hoje
também contribui para isso pois Yves alerta para isso “as bonecas
de antigamente eram vistas como o bebê, era um trabalho de
maternagem, hoje as Barbeis são a projeção do que a menina quer
ser, [...]você não é mãe dá Barbie você é sua amiga, vai ao
shopping com ela e seu namorado.”
Em contraponto as crianças estão se tornando mais imaturas, o que
não é de se estranhar , pois quando se vive uma vida imaginária
não se amadurece. Sendo este um dos fatores que reflete a causa de
que 20% das crianças que nascem no Brasil são filhas de
adolescentes, esse
índice representa três vezes mais garotas menores de 15 anos
grávidas do que na década de 70. O índice de gravidez entre
adolescentes cresceu 150% em relação às duas últimas décadas.
E o fato das crianças passarem tanto tempo diante da TV, influência proporcionalmente, a diminuição ao habito a leitura, e isso por sua vez influência diretamente os problemas de leitura e escritas que os jovens vem apresentando atualmente. Pois muitas vezes os alunos chegam ao sexto, sétimo ano, lendo muito mal e escrevendo com muitos erros ortográficos. Mas isso não é de se estranhar, pois se eles não leem eles não aprendem a escrever corretamente.
Marina Carvalho, supervisora da Fundação Educar DPaschoal, diz que:
Se
em casa as crianças não encontram pais leitores, reforça-se a
ideia de que ler é uma obrigação escolar. Se existe uma queda no
número de leitores adultos, isso se reflete no público infantil,
[...] as crianças precisam estar expostas aos livros antes mesmo de
aprender a ler. Assim, elas criam uma relação afetuosa com as
publicações e encontram uma atividade que lhes dá prazer.
Em uma pesquisa fita pelo Instituto
Pró-Livro em parceria com o Ibope Inteligência revela que os brasileiros estão lendo menos. A pesquisa diz que: "de acordo com o levantamento nacional, o número de brasileiros considerados leitores – aqueles que haviam lido ao menos uma obra nos três meses que antecederam a pesquisa – caiu de 95,6 milhões (55% da população estimada), em 2007, para 88,2 milhões (50%), em 2011". Sendo que muitas vezes as crianças ou jovens leem, somente por obrigação, para poderem desenvolver algum trabalho proposto pelo professor. Mas muitas vezes estes livros são sempre os mesmos causando assim um desinteresse por parte dos alunos.
Portanto é preciso ter um olhar mais critico ao que vemos na Televisão, mas principalmente termos um cuidado com o que as crianças estão assistindo na mesma, além de que precisamos incentivar mais e com mais meios o habito a leitura, precisamos acostumar as crianças desde muito cedo a se cercar pela literatura, devemos mostrar aos pequenos que ao ler entramos em um mundo totalmente novo, cheio de experiencias e descobertas fantásticas, devemos explorar a criatividade e a curiosidade destes para que quando eles estejam na idade de se alfabetizarem, já tenham o gosto o "amor" pela leitura.
Bibliografia:
GOULART, Nathalia. Veja Educação. 2012. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/noticia/educacao/habito-de-leitura-no-brasil-cai-ate-entre-criancas>. Acesso em: 1 maio. 2013.
Criança a Alma do Negócio (Documentário). Estela Renner, 2008. 50 min. cor.